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anDANÇAS... pelos jornais da Cidade da Bahia. Por Duto Santana
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Comportamento
Sex, 22 de Fevereiro de 2008 08:10
Como não poderia ser diferente, venho sendo bombardeado com diversas informações, opiniões, argumentos, a respeito das mudanças implementadas nesta gestão da SECULT-BA e da Diretoria de Dança da FUNCEB, no que diz respeito ao BTCA (Balé do Teatro Castro Alves). Uma das coisas mais interessantes é que a amplitude de mudanças que estão sendo provocadas na Dança a partir dessa gestão é enorme. E o único ponto que tem interessado aos jornais são as mudanças no BTCA. É de gerar c.u.r.i.o.s.i.d.a.d.e.! Sinto-me convocado,  pelo menos, a pontuar algumas questões sobre dança que estão sendo escritas sem o menor compromisso, no meio desse turbilhão de atropelos. Acredito que existam relevâncias sendo apontadas, mas, sobretudo, no que se refere aos argumentos que se fundamentam em informações de dança, as críticas caem em discursos retrógrados, esvaziados e conservadores. E o mais complicado é a fragilidade das escolhas que sustentam esses discursos.

Olhando palavras... para vê-las.

"longa e brilhante trajetória" (A Tarde - Réquiem pelo balé do TCA - Samuel Celestino) - é indiscutível e inquestionável o valor histórico e cultural do surgimento e desenvolvimento do BTCA. Entretanto, sua trajetória é também marcada por questões que vão desde insatisfações de bailarinos que discordam de seu modelo, passando por problemas com a direção, e encontrando-se com problematizações claras sobre os abismos estéticos e produtivos do Balé com o contexto, sobretudo de dança, no qual se insere local, nacional e internacionalmente. Ao se utilizar desse ponto de vista para discutir outras coisas, que não tem nada a ver realmente com uma análise da trajetória do BTCA, fica parecendo que este é um ponto pacífico na discussão. E sabe-se, tanto internamente, quanto externamente, que isso é uma inverdade.

A "longa" trajetória, como todas, é também caminho de percalços, dificuldades e amadurecimentos, com os quais as demandas de mudança rearticulam e oportuniza o desenvolvimento.  O próprio evento de mudança de direção, da década de Antonio Carlos Cardoso para Lílian Pereira, já foi um exemplo claro dessas necessidades. Em seu artigo, sobre o Balé, Paixão[1][1] nos lembra que "a diretora, Lílian Pereira, que ingressou como bailarina na companhia em 1982, seguindo uma trajetória que passa pela assistência de direção, assume os trabalhos em novembro de 2005 para superar uma extrema insatisfação do grupo de artistas com a direção anterior". Em uma das primeiras atividades dessa gestão, a companhia teve a oportunidade de estudar com o jovem coreógrafo paulista, Bongiovanni (ex-bailarino do Balé da Cidade de São Paulo, e que já dançou importantes repertórios contemporâneos na Europa como de Mats Ek e William Forsythe, tem coreografado companhias como os balés do Guairá e da Cidade de São Paulo). Na mostra pública de resultados no TCA, não somente o resultado estético de um pequeno workshop, mas principalmente, o discurso dos bailarinos demonstrava claramente o encontro deles com um toque de renovação necessária e estimulante para o exercício produtivo do balé. Imaginando a dimensão do TCA, é importante relatar que na hora dessa conversa, também pública, não se conseguia preencher nem a primeira fileira do teatro. Ah, e também, não havia nenhuma nota sobre isso no jornal.

"está morrendo (assassinado) o Balé do Teatro Castro Alves" (A Tarde - Réquiem pelo balé do TCA - Samuel Celestino)

Numa metáfora da metamorfose da lagarta, Morin (um atual pensador francês) fala da naturalidade da morte - da lagarta - para a geração de nascimentos - da borboleta. É claro que não estou fazendo nenhuma apologia à morte, muito menos a "assassinatos", como o recurso de êxtase (con)textual, empregado nessa matéria jornalística. O que me parece importante na fala desse pensador, é reconhecer a metáfora da morte como significado de fim, nos diversos ciclos de vida que uma vida tem. Acho que se assim o fosse, o emprego desses termos - "está morrendo (assassinado) o Balé do Teatro Castro Alves" - pudessem ganhar um sentido mais produtivo e menos conservador e reacionário. Pois então, poderíamos ver esse pensador baiano, autor desse texto, ser parte integrante do conflito de nascimento e crescimento da borboleta, e não apenas um urro angustiado pela "morte" da lagarta. Existe algo sobre "a morte do BTCA" e, consequentemente, sobre "nascimentos do BTCA", que já estavam aí, antes mesmo desse governo se candidatar, e não víamos tanta ênfase nisso, pelos jornais. A mudança de direção de 2005, colocando uma pessoa da cena e da história local da dança e do próprio BTCA, Lílian Pereira, workshops de qualificação e atualização, como feito com o coreógrafo Luiz Fernando Bongiovanni, os resultados estéticos altamente diferenciados no repertório do BTCA, advindos com o trabalho de Mário Nascimento em Devir, e a parceria artístico-pedagógica com a Escola de Dança da FUNCEB, na preciosa remontagem de Saurê (trabalho do repertório do BTCA, criado por Carlos Moraes), são valiosos marcadores históricos de ações políticas da dança no BTCA, que já engendram muitas "mortes" e "nascimentos". E não li nenhum tipo de alusão a essas questões nos jornais até hoje. Inclusive ainda são bem atuais essas notícias e bem necessárias para jornalistas realmente interessados em investir no desenvolvimento do cenário da dança baiana, e especificamente na história do BTCA. Ouçam: s.u.g.e.s.t.ã.o.

"pequenos grupinhos de dança" (A Tarde - Réquiem pelo balé do TCA - Samuel Celestino)

Não só historicamente, como atualmente, esses tais "pequenos grupinhos de dança" tem sido fundamentais na construção da produção baiana de dança. Compromisso de desenvolvimento de pesquisa artística, diálogos críticos com contexto local e global da dança, alimentação na formação de artistas em seu meio, diálogo com outras linguagens artísticas, diálogos com outros locais de produção e veiculação de dança, dentre outras importantes ações desses. Desde Lia Robatto, Jorge Silva a Tran Chan, vemos realidades históricas de grandes trabalhos artísticos que tiveram por muito tempo esse contexto de "pequeno grupinho de dança". Atualmente, jovens criadores já com respeitado destaque nacional, como Clara Trigo e Jorge Alencar, também alargam o time dos "pequenos grupinhos de dança". Para quem se preocupa com produção artística em dança, é claro que "pequeno" não é a coerência artística desenvolvida pelo trabalho de criadores como esses. Pelo contrário, pequenas são as condições de existência e de produção de sua arte, e mesmo assim, surgem vigorosas borboletas capazes de alçarem vôos importantíssimos para o cenário ético, estético e político da produção em dança na Bahia e no Brasil. O melhor é poder imaginar a possibilidade de c.o.e.x.i.s.t.ê.n.c.i.a. entre as borboletas desses "pequenos grupinhos de dança" e as borboletas da "longa e brilhante trajetória do BTCA", e essas realidades não serem mutuamente exclusivas, mas dialógicas (poderem constantemente bater um papo entre si).  Isso nos lembra o n.o.v.o. projeto do BTCA: BTCA Residência - projeto de articulação entre grupos de pesquisa artística em dança, de Salvador, e o BTCA, para fim de (con) vivência e produção artística conjunta por tempo pré-determinado.  Mais uma borboleta (ou várias, não é?)!

"Como todos sabem, bailarinos, assim como jogadores de futebol, têm vida profissional curta, dada às exigências de extremo preparo físico." (A Tarde - Réquiem pelo balé do TCA - Samuel Celestino)

Ao ler esse tipo de idéia de dança, fica claro o distanciamento real desse nosso autor frente ao cenário histórico e crítico da dança. Pelo menos, desde o início do século passado, argumentos artísticos fortíssimos como os trabalhos das solistas modernas (Isadora Duncan, Mary Wigman, Ruth Saint-Denis, e a lista só cresce) passando pelas fantástica e importantes obras de Merce Cunningham, Lucinda Childs, Twyla Tharp, Steve Paxton, inicialmente na Judson Church e depois em seus desdobramentos, bem como o trabalho preciso, político e com interfaces artísticas da alemã Pina Bausch e também da francesa Maguy Marin, e ainda tantos novos criadores que se revelaram a partir da década de 90, como Jérôme Bel, La Ribot, Le Roy, Thomas Lehmen, Vera Mantero, João Fiadeiro, Anne Teresa de Keersmaeker, e a lista só cresce. E para quem encontra seu prazer na danças cuja familiaridade aproxima-se do balé clássico, William Forsythe e Baryshnikov são importantes citações. A lista cresce... e fica claro que quem realmente se interessa por dança sabe que entre a complexidade da dança e do futebol existem pouquíssimas coisas em comum. Arriscaria uma única: corpo/movimento - talvez responsável pelas distorções de entendimento propostas por essa frase. Mas enfim, corpo/ movimento está nos bancos, nos parques, nas lojas, na escola, nos laboratórios científicos, nas zonas de prostituição, nas astronaves - e a lista cresce - e ninguém fica falando que isso tudo é dança, muito menos construindo esse tipo simplista de comparação. Mas sabemos que essa questão da idade e do esforço físico, nesse papo para diferenciar dança de futebol é uma longa conversa. De preferência com vídeos também, porque não são palavras que demonstram melhor isso - é a própria dança. Porque, o problema real que a mim se apresenta, é que essas pessoas têm de ver essas danças, para entenderem que já não estamos (há muito tempo... muito mesmo!) na França do séc. XVIII.

"Só para um contraponto e aporrinhá-lo mesmo, felizes são os cubanos e os russos por nunca terem tido um Meirelles como gestor cultural. Caso contrário, a Companhia Nacional de Cuba, o Bolshoi, o Kiev, entre tantos corpos oficiais, já teriam sido extintos por sufocamento progressivo ..." (A Tarde - Réquiem pelo balé do TCA - Samuel Celestino)

Atestando ainda mais seu amplo desconhecimento e descompromisso com o contexto de dança no qual vivemos, esse parágrafo irônico ressalva grandes companhias de balé clássico (Companhia Nacional de Cuba, o Bolshoi, o Kiev) e ainda existentes, para justificar o quão "felizes" são esses lugares, por não terem esse "problema" que o autor está apontando. No Brasil (não é só na Bahia, muito menos só em Salvador) de todas as companhias oficiais (São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, Goiânia, Salvador - e a lista cresce.), todas as companhias independentes com produção mais consagrada e estável (Corpo, Quasar, Cena 11, Lia Rodrigues Cia. de Danças ...), importantes e conceituados criadores (Sandro Borelli, Décio Otero, Vera Sala, Márcia Milhazes, Luiz de Abreu, Marta Soares, Giselle Rodrigues, Andréa Bardawil, Mário Nascimento, Adriana Grecchi, ... e a lista cresce), bem como jovens e consistentes trabalhos como Kleber Lourenço, Coletivo Couve-Flor, Clara Trigo, Kleber Damaso, Letícia Sekito, Jorge Alencar... e a lista cresce)... Dentre tudo isso, e mais todos que não foram citados, mas fazem parte, só existe U.M. trabalho de dança no BRASIL INTEIRO que vive essa "felicidade de dança" estética e institucionalmente semelhante a esses citados nesse artigo: a U.N.I.C.A. companhia, o Balé do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Nenhum outro trabalho, em nenhum outro canto do Brasil, produz artisticamente com essa idéia de dança (Balé Clássico), que está na referência dessa citação, feita para justificar uma vida "feliz" de dança. E ando mais, a própria dança, e o próprio balé clássico já vem se criticando e se reformulando há m.u.i.t.o. tempo. Um exemplo é o complexo sistema de criação e composição gerado pelo coreógrafo americano William Forsythe e seus resultados coreográficos no Frankfurt Ballet e em tantas outras companhias como convidado. E um outro importante exemplo é o trabalho feito pelo criador francês Jérôme Bel, no Balé da Ópera de Paris e replicado no Balé do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, no qual elementos autobiográficos de uma bailarina de coro de cada companhia dessas (na França, a bailarina Veronique Doisneau era a intérprete, no Brasil, Isabel Torres) organizavam uma coreografia preenchida de vivências pessoas dessas bailarinas e de seus balés dançados, elencando muitas inquietações construídas por esse contexto, para a vida dessas pessoas da dança. Existe muito mais entre "o coro e a coda" do que os olhos têm corrido.

"O Balé de São Paulo e o Guaíra têm duas companhias como era o BTCA." (Bailarina anônima do BTCA, O Balé na dança. A Tarde, 17/02/2008)

Esse tipo de argumentação, feito por essa bailarina anônima (o que significa isso nos dias de hoje?), e não só por ela, também pelo jornalista Samuel Celestino, mostra como vivemos um modelo de colonizado. Em momento nenhum se percebe um olhar crítico para a realidade dessas companhias citadas para se chegar à conclusão de que devem ser modelos seguidos. Alguns presentes lembram-se do debate, promovido pela Diretoria de Dança da FUNCEB, ano passado, sobre o destino das companhias oficiais, com Suki Villas-Boas, coordenadora (representando o) do Fórum Nacional de Dança - BA, a crítica de dança, Helena Katz e a diretora do Balé da Cidade de São Paulo, Mônica Mion. Esta fez vários relatos sobre as dificuldades encontradas no exercício de sobrevivência dessa companhia. E, quando Helena Katz disse que esse modelo de companhias oficiais era um modelo importado do colonizador, e que deveria ser revista sua legitimidade, não houve nenhum posicionamento sustentado, nem de Mion, em relação a isso. Sendo assim, parece-me que o fato de construir comparações esvaziadas, aumenta a fragilidade de um argumento, que quer se organizar, mas não acontece. R.u.m.i.n.a.n.d.o. palavras ao vento!

tentATIVAS de FALAS ________
possibilidades políticas a.i.n.d.a. inócuas

"Os críticos da mudança do BTCA", "Observadores da Cena e Bailarinos Independentes" e bailarina anônima (todos assim apresentados nesse jornal), acredito ser muito valioso o exercício civil de posicionamento político de vocês. E a "abertura" desse jornal tem sido fundamental, e talvez, a única "legitimação" dessa ação.

Entretanto, a consistência de uma ação política, aponta para uma formulação realística de argumentos, articulando-os com uma meta (um projeto de ação), bem como direcionando-os aos argumentos postos com os quais estão lidando. No que vem se apresentando, vejo muitos argumentos ("porque vai acabar/mudar" ou "porque por tanto tempo foi assim" e ainda, "porque em São Paulo é assim"). Todos sem consistência contextual. Não vejo nada que de fato aponte a consistência interna dos argumentos gerados para as tais mudanças, muito menos uma proposta organizada por essa (o) posição.

Portanto, organizem-se! Elaborem propósitos de fato. Enquanto as palavras vão sendo levadas nos ventos das esquinas, ou amassadas nas caçambas de lixo, as mudanças estão ocorrendo. E, se querem se incluir nessa história, como construtores, precisam construir algo que ainda não se apresentou. 

E a ética, por onde andarás?

É da lógica de um sistema democrático a liberdade para o debate público e o posicionamento político. Ética tem lugar? ... Será que caminhamos nesse sentido?...

"desculpa esfarrapada", "Só para um contraponto e aporrinhá-lo mesmo", "coveiro". "visão para lá de tosca", "fingiu recuar", "uma companhia quase geriátrica, que nela pode até caber o próprio secretário, mas, claro, como diretor de coreografia torta". (Samuel Celestino - Réquiem pelo balé do TCA, Jornal A Tarde)

Será que isso resulta apenas de indignação?

Para quem usa as palavras "destruição", "decadência", "morte" e "réquiem", para avaliar a ação de outros, fico me perguntando, como a pessoa-profissional se auto-avalia, ao usar esses tratamentos apresentados nesse artigo?

E esse tipo de abordagem vem exaustivamente sendo utilizado! Acredito que nada mais decadente e destrutivo do que essa realidade de tratamento, ainda mais num âmbito político e profissional, num dos principais veículos de informação de nossa cidade, utilizando esse nível de apreciação, crítica e evocação.

E o jornal: é só papel?

O jornal A tarde tem acompanhado e se posicionado em relação a essa polêmica com o BTCA desde o ano passado. Não acredito que um jornal seja um papel cheio de palavras e figuras que as pessoas compram todo dia, mas sim um valioso e importante instrumento social de veiculação e construção de informação e opinião pública.  Um jornal só o é, de acordo com as notícias que ele veicula.

Assim sendo, ele não é instrumento passivo do discurso de outros que escrevem nele, ele é o discurso. Em sendo assim, o jornal A Tarde tem construído discursos distorcidos, recheados de inverdades sobre dança. Tem caso, como o artigo "A dança dançou" (Gideon Rosa, Caderno 2, pág. 2 - 17/02/2008), que falsas informações são colocadas. Ao tentar justificar opinião desfavorável à unificação do BTCA, o ator e jornalista primeiramente faz uma crítica absolutamente pessoal e vazia à remontagem de Saurê, chamando-a de desastre, sem justificar. E numa única tentativa de justificar, diz: "O problema era evidente: a coreografia Saurê foi concebida para ser executada por corpos jovens, possuidores de grande pulsação e precisão de movimentos." Um equívoco, porque a remontagem foi feita com os alunos da Escola de Dança da FUNCEB, muitos já se formando e com experiência artística em dança. Ou seja, corpos extremamente jovens, possuidores de grande pulsação e que, com o exímio de bravos aprendizes, dedicaram três, quatro meses em ensaios para uma precisão não só de movimentação, mas com momentos de grande destaque para a interpretação dos dançarinos.

A ausência de uma crítica jornalística implicada com o universo cultural da dança é uma realidade não apenas local. Não à toa, profissionais como Helena Katz (crítica do jornal Estado de São Paulo, estudiosa de dança), tenha, na crítica jornalística em dança, a necessidade de aproximar-se dos fatos, processar suas complexidades para então estar apta a formular suas críticas pelos artigos.

Se, ao montar seu discurso, o jornal o faz como tem feito, sua função, ao que me parece, reduz-se a um  canal de polêmicas para vender cópias. E isso o diminui mais ainda, quando muito do que se produz na polêmica são dados de inverdades ou distorcidos, sem o apuro de um cientista social, que é o comunicador, bem como de uma escrita descuidada do confronto ético, como foi apresentado aqui.

Tenho tido a oportunidade de ter alunos de Comunicação, bem como de participar de eventos com os mesmos. Acredito num futuro ainda mais especializado no que se refere à atuação do Jornalismo Cultural em Dança. Mas e até lá? O que vocês pensam? Pensem.

E e.x.i.s.t.e. o que discutir

Assuntos importantes para a dança transitam vorazmente em seu meio e já transbordam: autoria, coerência dramatúrgica, formação profissional em dança, corpo e movimento nas interfaces artísticas, formação de crítica especializada de dança (principalmente nos jornais e revistas), aspectos educacionais da dança e a formação de jovens, projetos sociais e o uso artístico (?) da dança, editais públicos para dança e a contrapartida social, reais e ainda inexistentes políticas públicas para a dança, intercâmbios artísticos e pedagógicos de dança - e a lista cresce. Isso eu praticamente nunca encontro no jornal, muito menos sendo trabalhados em duas, três, quatro publicações, por um, dois, três, seis meses seguidos. Será que o foco do nosso colega é realmente a discussão, valorização e desenvolvimento da dança na Cidade da Bahia?

Outras questões mais específicas dentro dessa discussão das companhias oficiais são trazidas pelo mesmo artigo do professor Paulo Paixão: "Como resistir a mídias tão poderosas em termos de número de espectadores atingidos? Como otimizar os parcos recursos destinados pelos governos para manutenção do trabalho? O que fazer com os bailarinos, funcionários públicos estáveis, que são convidados a parar de dançar após os quarenta anos? Como lidar com a expectativa individual de artistas num grupo que pode chegar ao número de quarenta dançarinos?"

Bons motivos de discussão.
 
Ouçam: s.u.g.e.s.t.ã.o.
Últimos (temporariamente) olhares

Acho inquestionável a necessidade de termos uma companhia oficial de dança viva e produtiva. Assim como devemos ter nossas bibliotecas, universidades, serviços de saúde e educação, etc. públicos e de qualidade. Entretanto, os modos de estruturação e funcionamento sempre devem ser avaliados! As exigências históricas, políticas, estéticas, sociais, assim como a pessoa de um cidadão ou o paralelepípedo de uma praça pública, estão no t.e.m.p.o. E estar sob a lei da temporalidade implica em estar se transformando, com maior ou menor grau de instabilidade. E nesse exercício de flexibilidade, movemo-nos buscando estruturar o lastro histórico, nas coesões e nas coerências de nossas metas, negociadas com as possibilidades de existência delas. Existe aqui um momento histórico da dança na Bahia e no Brasil, cuja complexidade implica, no mínimo, SECULT-BA, Diretoria de Dança da FUNCEB, BTCA, Escola de Dança da FUNCEB, sociedade civil interessada em dança, artistas da dança local. Desse caldo, podemos gerar um projeto muito mais poderoso e promissor para nossa dança, se as questões forem tratadas em suas especificidades e desdobramentos. Ou então, continuamos caminhando, ou melhor, arrastados pela história, presos a argumentos convenientemente insólitos, que vigoram para o.u.t.r.o.s.: outros séculos passados, outros países, outras companhias...

E você, o que pensa?

Duto Santana
Criador-intérprete em Dança
Esp. Estudos Contemporâneos em Dança
Mestrando em Dança
Cidadão da Cidade da Bahia

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