Salvador, 17 de October de 2019
Acesse aqui:                
facebookorkuttwitteremail
Erro
  • Your server has Suhosin loaded. Please follow this tutorial.
Lula conta ao mundo que ele está de volta ao jogo, da prisão. Por Pepe Escobar
Ajustar fonte Aumentar Smaller Font
Cidadania
Qui, 29 de Agosto de 2019 01:46

Pepe_EscobarBrasil sempre foi a terra dos superlativos. Ainda que nada vença essacorrente, há uma configuração perversa : um estadista mundial persiste na prisão enquanto um palhaço arruaceiro está no poder, e suas artimanhas consideradas agora uma ameaça a todo o planeta.

Numa abrangente entrevista exclusiva mundial, de duas horas, fora da sala de prisão no prédio da Polícia Federal em Curitiba, no Sul do Brasil, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva não somente defendeu sua inocência para a opinião pública global em toda a saga de corrupção da Lava-jato, confirmada pelos vazamentos bombásticos revelados pelo The Intercept, como também reposicionou-se para retomar seu status como líder global. Possivelmente muito mais cedo do que tarde - na dependência de uma fatídica decisão a ser tomada pela Corte Suprema Brasileira, na qual a justiça não é exatamente cega.

O pedido de entrevista foi encaminhada à cinco meses atrás. Lula conversou com os jornalistas Mauro Lopes, Paulo Moreira Leite e eu, representando, todos os três, o portal Brasil247 e no meu caso, também o Asia Times. Uma versão preliminar, com somente uma câmera fixada sobre Lula, foi liberada na quinta-feira passada, o dia da entrevista*. Uma versão editada e completa, com legendas em inglês, para alcançar a opinião pública global, deverá ser liberada no fim da semana.

Lula é uma encorporação visível da máxima de Nietzsche: aquilo que não te mata te faz mais forte. Atlético (ele bate na esteira no mínimo duas horas por dia), afiado, com um monte de tempo para ler ( o mais recente era um ensaio de Alexander von Humboldt) , ele exibiu a marca registrada de sua envergadura, alcance e domínio de múltiplos assuntos – algumas vezes discorrendo-os como se fosse parte de uma fantástica narrativa realista de Garcia Marquez.

O ex-presidente vive numa cela de três-por-três metros, sem barras, com a porta aberta mas sempre vigiada por dois policiais federais, do lado de fora, sem acesso a internet ou TV a cabo. Um dos seus assistentes zelosamente leva a ele um pendrive abarrotado com notícias políticas e uma parte com uma miríade de mensagens e cartas.  A entrevista fica mais ainda estonteante quando localizada num contexto literalmente incendiário da política Brasileira atual, flertando vivamente com uma forma híbrida de semi-Ditadura. Enquanto Lula conversa essencialidades e está claramente recuperando sua voz, mesmo na prisão, o Presidente Jair Bolsonaro tem se enquadrado como alvo da indignação global, amplamente reconhecido como uma ameaça para a humanidade, que precisa ser contida.

É tudo sobre o Dia do Fogo

Passando para o G7 em Biarritz : no máximo uma questão secundária, um talk-shop (**) onde os presumivelmente liberais Ocidentais aproveitam de sua luxuosa impotência para lidar com os sérios assuntos globais, sem a presença dos líderes do Sul Global.

E isso nos leva ao assunto da combustão literal do fogo da Floresta Amazônica. Em nossa entrevista, Lula foi direto ao ponto : apontando a responsabilidade absoluta dos eleitores da base de Bolsonaro. O G7 nada fez senão ecoar as palavras de Lula, com o Presidente francês Emmanuel Macron enfatizando como as ONG’s e múltiplos atores judiciais, por anos, tem levantado a questão de definição de um estatuto internacional para a Amazônia – cujas políticas de Bolsonaro, por si só, impulsionaram para o topo da agenda global.

Ainda o G7 ofereceu um pacote de ajuda imediata de 20 milhões de dólares para auxiliar as nações da Amazônia no combate aos incêndios e assim lançam uma iniciativa global para proteger uma floresta gigante com apenas um pingo de chuva.

[ O Brasil, depois que esse artigo foi escrito, rejeitou a propalada ajuda do países do G7, com um comunicado oficial dizendo a Macron, o Presidente da França, na segunda-feira, para tomar conta “ da sua casa e suas colônias, ” reportou a AFP. “ Talvez esses recursos sejam mais relevantes para reflorestar a Europa”, Onyx Lorenzoni, chefe da Casa Civil de Bolsonaro, contou o portal de notícias do G1. “Macron nem mesmo pode evitar incêndio previsível numa catedral que é um Patrimônio Mundial da Humanidade. O que ele pretende ensinar ao nosso país? “ Ele estava se referindo ao incêndio em Abril, que devastou a Catedral de Notre-Dame. “ O Brasil é uma nação livre e democrática que nunca teve práticas colonialistas e imperialistas, como talvez seja o objetivo do francês Macron, “ disse Lorenzoni ]

Curiosamente, o Presidente dos EUA Donald Trump nem esteve na seção do G7 que tratou das mudanças climáticas, ataques à biodiversidade e os oceanos – e o desmatamento da floresta amazônica. Não é de se espantar que Paris simplesmente desistiu de fazer um pronunciamento conjunto ao final da conferência.

Na nossa entrevista, Lula enfatizou seu papel conhecido na Conferência de Partidos (COP-15) a reunião de cúpula sobre mudanças climáticas em Copenhagen, em 2009. Não só isso, ele contou a história interna sobre como as negociações ocorreram, e como interveio para defender a China das acusações americanas de ser o maior poluidor do mundo.

Na época Lula disse: “Não é necessário derrubar uma árvore sequer, para plantar soja ou criar gado. E qualquer um que fizer isso, isso é um crime –e um crime contra a economia Brasileira.

O COP-15 deveria ter avançado os objetivos estabelecidos pelo protocolo de Kyoto, que estavam expirando em 2010. Mas a cúpula falhou depois dos EUA – e a UE – terem se recusado a elevar as suas projeções de redução de CO2, enquanto culpavam os atores do Sul Global.

Em um agudo contraste com Lula, o projeto de Bolsonaro se resume a uma destruição insólita de ativos brasileiros como a Amazônia, para favorecer os interesses que ele representa.

Agora o Clã Bolsonaro está culpando o seu próprio Gabinete de Segurança Institucional (GSI, em português) – o equivalente ao Conselho Nacional de Segurança (National Security Council) - liderado pelo General Augusto Heleno, por ter avaliado mal o tamanho e a gravidade das queimadas que ocorreram na Amazônia.

Heleno, por ventura, é aquele que veio a público defender a prisão perpétua de Lula.

Mas, essa não é a estória toda – mesmo enquanto Bolsonaro continua a culpar as “ONGs” pelas queimadas.

A estória real confirma o que Lula disse na entrevista. Em 10 de Agosto, um grupo de 70 grandes latifundiários, todos eleitores do Bolsonaro, organizaram no WhatsApp o “Dia do Fogo” na região de Altamira, no vasto estado do Pará.

Por um acaso essa é a região com o maior número de queimadas no Brasil – infestada de grandes proprietários de terras, agressivos, que se dedicam a uma massiva, violenta desmatamento da floresta; eles investem na ocupação da terra e em uma guerra sem fim contra os trabalhadores sem terra, e pequenos produtores rurais. O “Dia do Fogo” deveria ter dado suporte ao arranque de Bolsonaro para acabar com o monitoramento oficial e as multas de um dos Bs da bancada da BBB (Bife, Bala, Bíblia).

Lula estava evidentemente bem informado: “Você só precisa olhar para as fotos do satélite, saber quem é o dono da terra e ir atrás dele para saber quem esta queimando. Se o dono da terra não reclamou, não foi a polícia para avisar que as terras dele estavam queimando, é porque ele é responsável”

Na estrada com o Papa

A estratégia impiedosa da guerra-híbrida na pós-verdade pode estar em jogo no Brasil. Dois dias após a entrevista com Lula, uma paella fatídica aconteceu em Brasília no palácio vice-presidencial, com Bolsonaro se encontram com todos os generais do alto comando incluindo o vice presidente Hamilton Mourão. Analistas independentes estão seriamente considerando a hipótese de que o objetivo seria vender o Brasil, usando a preocupação com a Amazônia como desculpa, tudo mascarado por um discurso nacionalista falso.

Isso se encaixaria no padrão demonstrado pela venda da campeã nacional da aviação, a Embraer, a privatização de grandes blocos das reservas do pré-sal, e a locação da base de lançamento de satélites de Alcântara para os EUA. A soberania brasileira sobre a Amazônia definitivamente está por um fio.

Considerando a riqueza de informações na entrevista do Lula, sem falar das suas estórias sobre como os corredores do poder realmente funcionam, o Asia Times publicará outras estórias específicas sobre o Papa Francisco, os BRICS, Bush e Obama, Irã, a ONU e a governança global. Essa foi a primeira entrevista de Lula na cadeia onde ele se sentiu relaxado o suficiente para chegar a contar estórias de relações internacionais.

O que está claro é que Lula é o único fator de estabilidade possível para o Brasil. Ele está pronto, tem uma agenda não só para a nação, mas para o mundo. Ele disse que assim que sair ele voltará as ruas – e irá trocar suas milhas aéreas: ele quer embarcar junto ao Papa Francisco em uma campanha global contra a fome, a destruição neo-liberal, e a ascensão do neo-facismo.

Agora, compare o verdadeiro estadista na cadeia com o troglodita incendiário vagando dentro de seu próprio labirinto.

Pepe Escobar é jornalista e correspondente de várias publicações internacionais

Compartilhe:

 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

O MELHOR DO ALDEIA NAGÔ NO SEU EMAIL

CADASTRE-SE EM NOSSO NEWSLETTER:

FOTOS DOS ÚLTIMOS EVENTOS

  • 28.09.19.012Rock Rural Janah e Raul. Casarão. 28 Set 2019
  • 06.03.19.114Patuskada para Exu Bouzanfrain. 06 Mar 2019
  • 05.03.19.231Carnaval no Pelô. Alb 2. 05 Mar 2019
  • 05.03.19.032Carnaval no Pelô. Alb 1. 05 Mar 2019
  • 04.03.19.235-1Ilê Aiyê. Campo Grande. Alb 2. 04 Mar 2019
  • 04.03.19.200Ilê Aiyê. Campo Grande. Alb 1. 04 Mar 2019

Parabéns Aniversariantes do Dia

loader
publicidade

ENSAIOS FOTOGRÁFICOS

GALERIAS DE ARTE

HUMOR

  • Vai prá Cuba_1
  • Categoria: Humor
Mais charges...

ENQUETE 1

Qual é o melhor dia para sair a noite?