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Com a palavra, o Partido dos Trabalhadores. Por Denise Assis
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Dando o que Falar
Dom, 12 de Julho de 2020 20:43

denise-assisQuando dois amiguinhos brigam na escola, a professora chama a dupla e exige que peçam desculpas e se deem as mãos. Ressentidos, os dois viram o rosto para o lado, estendem a mão molenga, num gesto nítido de má vontade, e balbuciam o pedido de desculpas. Ninguém ali está a fim de aproximação. Melhor não, mas o momento exige. A cena cai como uma luva no gesto do jornal O Globo – traduzindo: Organizações Globo – repassado pelo colunista Ascânio Seleme, em seu artigo de hoje.

 

Não estivessem tão isolados, fustigados pelos 30% de bolsonaristas que os chamam de “Globolixo” e os 30% dos petistas que por terem vergonha na cara voltaram as costas para a sua programação e foram procurar a sua turma no YouTube, e não estenderiam a mão, ainda que num gesto molengo, desprovido de energia, apenas para que tudo volte ao seu lugar. Vamos combinar que para quem sempre dominou a audiência no país, deter 40% (se isto), de telespectadores, é duro de engolir. Sem contar que o corte das propagandas do governo e a ausência desse público corrói as finanças já combalidas do grupo.

Longe de querer reavivar as brasas dessa fogueira, mas para chamar a atenção para o pedido de desculpas “meia boca”, é bom destacar um dos trechos do que escreveu o colunista:

“Me refiro aos que acreditam na política de mudança do partido, não aos seus líderes. Os que acreditam e sustentam o PT são a maioria do terço de eleitores perenes do partido, não os que foram flagrados nos dois grandes escândalos de corrupção que marcaram a gestão petista”.

Ou seja, querem os eleitores, os militantes “domados”, mas não as lideranças do partido, encharcadas de mágoa e cobertas de razão por isto. Afinal, as Organizações passaram dois anos injetando na população o ódio ao partido – até conseguir tirar-lhe o poder obtido democraticamente nas urnas, com 54 milhões de votos -, e mais quatro tratando de salgar a sua cova e a sua memória, enxovalhando as biografias dos seus líderes. Cada notícia tinha um lado só e mais uma colher de fermento nos fatos, para que crescessem e se tornassem vistosos.

Acrescentar ao artigo uma observação desse tipo é mais ou menos como fazer o papel do casal que vivenciou uma traição (seja de que lado for) e resolve “relevar” a pulada de cerca, mas fica voltando à história a cada atrito.

Além de todo o aspecto econômico por trás do gesto de estender a mão, (apesar da má vontade e da ressalva implicante), há a perspectiva de 2022, quando os eleitores terão um encontro com as urnas e eles, por hora, não têm um candidato viável. O que existia na prateleira fez-se em cacos. (Eles com certeza sabem que há muito mais a ser revelado sobre Sérgio Moro, do que o já estampado nas manchetes até agora) e não vão apostar em cavalo manco. Tampouco vão arriscar as fichas em mais uma aventura outsider, como o que ajudaram a colocar lá, e só quer saber de tomar porres de cloroquina.

O PSDB, partido dos sonhos para ocupar a presidência, derreteu como a neve no hemisfério norte, do último inverno. Restou o príncipe envelhecido e trancado em seu castelo, longe das “modernidades” de Brasília, onde é preciso negociar cargos na fila do banheiro, com a deputada Carla Zambelli (responsável por organizar os candidatos ao sanitário, na campanha de Bolsonaro, no acampamento da Av. Paulista). Ou, dar a mão à palmatória e admitir que, entre um professor universitário, ou mesmo “o cara”, se assim o STF permitir, e um candidato que virá das terras do Nunca para encantar o eleitorado, melhor fazer que nem naquela música: “meu amigo, se ajeite comigo e dê graças a Deus”. Com a palavra, o Partido dos Trabalhadores.

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