Dois grandes autores, Mia Couto e Paulina Chiziane, que tinham 20 anos
quando foi conquistada a independência de Moçambique, analisam a
situação atual do país
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De passagem pelo Brasil, filósofo francês
concede entrevista exclusiva à Carta Maior, na qual analisa a crise financeira,
comenta as situações dos EUA e da Europa e aponta os desafios para a esquerda
construir uma alternativa ao modelo atual. Comentar
Tenho acompanhado as declarações de várias lideranças latino-americanas
sobre o novo presidente dos Estados Unidos e só posso concluir que
estejam sendo extremamente diplomáticas e educadas. Penso que numa
situação como esta, quando um novo presidente assume o cargo, deve ser
de bom tom dar as boas vindas e fazer prognósticos de mudanças, de bom
governo e de bons auspícios.
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Época de ditadura. Governo FHC. Pensamento único neoliberal em vigor
com força descomunal. Só na imprensa alternativa, vozes discordantes -
poucas. Esquerda confusa com o impacto dos destroços do muro de Berlin.
Situação difícil, dificílima. Nós na defensiva, eles no ataque - um
verdadeiro bombardeio ideológico. O fim da história.
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"Para que as mulheres procurarão um homem, se agora, nem mesmo para a reprodução eles serão necessários?"
Essa
pergunta vem atormentando meu amigo, o jornalista Ruy Castro desde que
ele leu que a ciência acaba de descobrir um jeito de produzir
espermatozóides a partir das células tronco femininas. Ou seja: uma
mulher agora não depende mais de um homem para ser fecundada.
Ruy,
que sempre fez um sucesso enorme entre as mulheres, tem medo que agora
estas não considerem mais os homens nem mesmo para funcionar como
homem-objeto (status a que foram elevados no auge do feminismo,
lembram?) E arremata declarando que provavelmente agora os homens serão
novamente "atirados na lata do lixo da história"
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A crise econômico-financeira, presivísvel e inevitável, remete a uma
crise mais profunda. Trata-se de uma crise de humanidade. Faltaram
traços de humanidade minimos no projeto neoberal e na economia de
mercado, sem os quais nenhuma instituição, a médio e longo prazo, se
agüenta de pé: a confiança e a verdade.
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