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Um toque de baianidade. Por Caetano Ignácio
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Dom, 08 de Dezembro de 2019 04:10

caetano_IgnacioPrecisamos falar de baianidade. Me refiro ao comportamento das pessoas que nascem no ambiente geocultural formado por Salvador e seu Recôncavo.

Se a região não reduz a Bahia, simboliza o que o Brasil e o mundo conhecem como tal, conforme explica Antonio Risério em Uma Teoria da Cultura Baiana.

Não tenho medo de que a baianidade desapareça. Os templos de axé, a capoeira, o samba, as festas populares, a comida de azeite, tudo isso perdura. Maravilhas como Rumpilezz, Wagner Moura, Lázaro Ramos, Baiana System, Na Rédea Curta e Luedji Luna mandam dizer que a Bahia está vida ainda lá e aqui.

Ocorre, porém, que no Brasil bolsonariano, em vias de recolonização, existe uma pressão de mercado para que forças culturais dominantes de fora e de dentro do país constranjam singularidades regionais mal cuidadas. Numa palavra: Se não fosse o pagodão, nós já tínhamos virado goianos pretos cantando sertanejo com sotaque caipira. Afinal, o agro é pop, o agro é tudo.

A caipirização do Brasil atinge a Bahia em vários flancos, inclusive na periferia. Vejo até a juventude preta periférica falando paulista por influência do rap e do trap. Quando eu era adolescente, só se falava rolé, nunca rolê. Nada contra a assimilação de formas externas, desde que seja numa conversa esperta, sem que a gente desvalorize nossas matrizes e instituições culturais. Só ponho o bebop no meu samba quando o Tio Sam pegar no tamborim, entende?

Os Candomblés, o Samba de Roda, Gregório de Mattos, Castro Alves, Dorival Caymmi, Assis Valente, Jorge Amado, João Ubaldo, Cinema Novo, Bossa Nova, Tropicália, Maria Bethânia, Raul Seixas, Elomar, Novos Baianos, Edson Gomes, Ilê Aiyê e Olodum são entidades que devemos cultivar sempre. Em museus, escolas, teatros, rádios, cinemas, tvs, redes digitais, enfim, no coração, na memória e na invenção da cidadania baiana.

De outro modo, numa comparação, é como se Florença pudesse desprezar os renascentistas ou Paris, seu modernismo. Nada contra pizza, hambúrguer ou música sertaneja, gosto de tudo isso, mas se não protegermos nossas reservas culturais, não tem por que perguntar se alguém já foi a Bahia.

O Oscar de filme estrangeiro é apenas uma entre muitas categorias da premiação estadunidense. Na França, 1/3 das salas de cinema são destinadas à produção nacional. Na China, não tem Face, Insta, Google ou Youtube.

Eu nasci em Santo Amaro e renasci na Liberdade. Simplesmente não posso aceitar essa diluição da minha baianidade. Sim, o mundo é um lugar muito interessante. Mas a Bahia é mais.

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