Salvador, 15 de dezembro de 2017
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O que falta para voltar ao poder, afinal? Por Bruno D'Almeida
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Qua, 12 de Julho de 2017 03:01

Bruno_DAlmeidaOs anarquistas e black blocks lideraram as manifestações de junho de 2013, mas a direita tomou conta e gestou o ovo da serpente do golpe. Ou seja, a estratégia de ação direta através de uma revolta popular fracassou. Sinto muito, mas botar pra quebrar e tocar fogo em tudo ia ser massa, mas não vai rolar.

A esquerda conciliou com a direita, fez um governo com Lula e Dilma de grandes avanços sociais, mas a direita tomou conta, foi corroendo o projeto de poder por dentro e deu uma rasteira.

A "nova" esquerda tentou a "nova" política e se colocou como alternativa, mas o sectarismo não conseguiu ocupar o vácuo deixado pelo PT, a direita novamente tomou conta e venceu de lavada as eleições municipais de 2016 e caminha para vencer as eleições de 2018.

Nenhuma vertente de esquerda pode culpar a outra, pois todas fracassaram e foram vencidas pela direita. Devemos concordar com uma coisa: a direita é forte, é maioria e venceu unida. Só brigou depois de ter vencido e se consolidado no poder. Temer está sendo rifado pela direita porque Rodrigo Maia pode conduzir o golpe com mais eficiência.

Qual a saída, afinal, se todas as alternativas à esquerda fracassaram e continuam fracassando? A única resposta possível é refletir sobre a experiência concreta de um governo de coalizão, pois foi o único caminho que conseguimos construir.

Toda experiência deixa um legado: trinta milhões de brasileiros saíram da miséria, deixamos o mapa da fome, o salário mínimo aumentou como nunca o poder de compra do trabalhador, os professsores tiveram pela primeira vez uma carreira valorizada, o acesso à universidade triplicou e permitiu pretos e pobres uma oportunidade de disputar os espaços de poder.

Mas não é só isso. A direita, banqueiros e os empresários que se aliaram ao PT também enriqueceram muito nesse período. Hoje amargam prejuízos. Esses setores, mesmo que não estejam de nosso lado, precisam ser disputados, pois não temos maioria, e eles sozinhos no poder estão nos destruindo sem qualquer capacidade de reação.

Está na hora de definir novamente um projeto de poder para o campo progressista. Virada a página do golpe e assumindo todas as nossas derrotas de todas as vertentes de esquerda, temos que reconquistar o poder. As eleições de 2018 estão batendo na nossa porta. Precisamos eleger maioria de deputados, senadores, governadores e um presidente.

Dentre as opções à esquerda, fico com o caminho da experiência da conciliação de classes, mesmo que essa opção não seja meu sonho socialista, mas é a possibilidade de aprender com os erros e tentar restabelecer tudo aquilo que já conquistamos. É difícil. Mas se fosse impossível não teríamos chegado lá um dia. Existe um legado para reconquistar.

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