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Votou no alcaide Ploutos? Yes, I do. Por Rilton Primo*
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Ter, 04 de Outubro de 2016 12:54

Rilton-PrimoDomingo passado foi escolhido o sistema plutocrático de gestão dos municípios (do grego ploutos: riqueza; kratos: poder), com certo verniz norte-americano, ser alarde:

Mais da metade das maiores cidades brasileiras que elegeram prefeito no 1º turno serão governadas por milionários, comemorou o portal G1[1].

Nos EUA agora há o que eles autodenominam de “um sistema de governo oligárquico, um sistema dos ricos, pelos ricos e para os ricos”, explica Brad Miller, democrata, representante da Carolina do Norte. Cunhado na antiguidade clássica por Aristóteles, o termo oligarquia foi reutilizado para identificar a pequena elite que avassalou a Europa medieval entre 1570-80, passando a denominar, no Brasil, a elite que, entre 1894 e 1930, açambarcou os poderes políticos. Examinemos de mais perto a questão.

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Adota-se o ano de 2013 como o no qual o Congresso dos EUA passou a ser “dominado por uma maioria de milionários", história John Whitehead, presidente do Instituto Rutherford, para quem lá “a política eleitoral tem sido tão profundamente corrompida pelo dinheiro corporativo que há poucas possibilidades de que mesmo uma pessoa bem-intencionada possa promover uma mudança real no Congresso.”

Whitehead denunciou, face aos pelo menos 46,1 milhões de estadunidenses vivendo abaixo da linha da pobreza (renda inferior a U$1,25/dia), entre outras desigualdades, que “ainda que se suponha os Estados Unidos como uma república representativa, essas pessoas [...] nem representam nem servem aos estadunidenses. Em vez disso, se autoproclamaram os amos do povo”. Existem hoje nos EUA cerca de 18 milhões de crianças vivendo na extrema pobreza, cabendo notar que entre crianças negras a pobreza chega a 39% contra 12,4% entre brancas (BBC Brasil em Washington[2]).

Os empresários eleitos, independentemente da tendência ideológica, têm um segredo:

Sua prosperidade é o mistério, mais-valia desnuda em tirinha do Will Tirando.com.br. O que o plutocrata faz na política é transpor este véu para a República como um todo e convertê-la em uma imensa usina de extração da riqueza produzida pela sociedade.

A libertação dos EUA pelo voto seria em si impensável, dada a retroalimentação do sistema de financiamento privado das eleições, crê Whitehead: “O caminho das urnas, seja para o Salão Oval seja para o Capitólio, é bastante caro e até mesmo a linha de partida está disponível somente para os ricos ou aqueles apoiados pelos ricos."

O economista Joseph Stiglitz explica que “praticamente todos os senadores dos Estados Unidos e a maioria dos representantes da Câmara, integram o 1% mais rico do país, são protegidos em seus cargos pelo financiamento dado em campanha por outros integrantes desse 1%, e sabem que se defendem corretamente os interesses desse 1% serão recompensados quando deixem seus cargos. Em geral, as autoridades do poder executivo em matéria de política comercial e econômica também integram o 1%." (Cf. Vanity Fair). Daí que a tendência de acumulação de riqueza no Congresso dos EUA não seja recente, admitem analistas como Dan Eggen (Cf. The Washington Post). Não se pode dizer que é nova no Brasil uma tendência similar.

Hoje não precisamos mais que os dados do TSE, que falam por si mesmos: dos 37 prefeitos já eleitos para cidades com mais de 200 mil eleitores, 23 declararam ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) patrimônio milionário, sendo que São Paulo e Minas Gerais os estados com mais milionários entre os prefeitos eleitos para as maiores cidades brasileiras (onze dos 23 são de municípios paulistas e quatro mineiros), conforme levantamento de Flávia Mantovani e Helton Simões Gomes para o Portal G1, que destacou: “O prefeito mais rico da lista é Vittorio Medioli (PHS), de Betim (MG), que declarou bens no valor total de R$ 352.572.936,23. Em seguida vêm o prefeito de São Paulo João Doria (PSDB), com R$ 179.765.700,69, e o prefeito de Salvador (BA) ACM Neto (DEM), com R$ 27.886.721,62. [...]. O partido com mais prefeitos milionários da lista é o PSDB, com dez dos 23.”

Espera-se que o número de prefeitos com patrimônio milionário eleve-se no 2º turno.

Se você elegeu ou eleger algum destes prefeitos e depois alguém lhe perguntar se o fez, treine e responda com responsabilidade: “Yes, I do!”

*Consultor em Ciências Sociais Aplicadas do CEALA.



[2] CORRÊA, Alessandra. Número de pobres nos EUA chega a 46,2 milhões e bate recorde. Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2011/09/110913_pobreza_eua_ac.shtml. Acesso: 3 out. 2016.

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Última atualização em Qua, 05 de Outubro de 2016 00:44
 

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