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Nelson Rufino: entre a maestria e a realeza. Por Marlon Marcos
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Sáb, 11 de Julho de 2020 17:18
Marlon-MarcosComo essa terra Bahia consegue dever tanto a tanta gente? Como a gente pode viver sem louvar Nelson Rufino? Eu descobri que Nelson Rufino era baiano através de uma entrevista do grande e saudoso Roberto Ribeiro, nos idos anos 80. Adolescente e louco por música, via seu nome em discos de artistas como Alcione, Beth Carvalho, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho. Saber que ele era (é) baiano me deu aquela alegria que só um bom bairrista sabe ter por essas coisas. Descobri que mais do que Roberto Carlos, quem tinha gosto de dezembro, no meu pedaço, era esse tal Rufino.

Desenhos dessa minha infanto adolescência banhado, amparado, educado pela negritude de minha cidade, do pobre Centro Histórico, rodeado por dramas sociais pesados, mas aliviado pelos terreiros de candomblé, minha Escola Vivaldo da Costa Lima, meu Colégio Estadual Azevedo Fernandes, os cines Tamoio e Guarany, as igrejas portuguesas (lindas), a praia da Preguiça, do Porto da Barra, o Pelourinho, as aulas de teatro no IPAC com a imensa Haydil Linhares, minhas aulas de história do Brasil com a professora Valdiméia, mãe da atriz Jussara Mathias, os ensaios dos Comanches na Ladeira da Praça, e do Olodum, na quadra do Teatro Miguel Santana, teatro onde também aconteciam as aulas com a "Pró Haydil". Pensem, que direta e indiretamente, Nelson Rufino, frequentador da Rua Rui Barbosa (onde nasci) e da Rua da Ajuda, esteve sempre presente nisso tudinho aí. Mas um gênio brasileiro tão grande que foi gravado por meu controle de qualidade: a pensadora Maria Bethânia. Tão grande por ele mesmo a me ensinar a força da imaginação e a dor de desilusão numa canção que invadiu o Brasil inteirinho com o rei Ribeiro ditando: " Todo menino é um rei, eu também já fui rei, mas quá... despertei".

Como essa terra Bahia consegue dever tanto a tanta gente? Como a gente pode viver sem louvar Nelson Rufino, Roque Ferreira, Roberto Mendes, Riachão e Batatinha, meu Deus? Ouvir: " Descobri que te amo demais", "Amor da minha vida/ Dengo que Deus me deu/ Tipo terra prometida","Coração, até a próxima paixão". Esse gosto de cerveja dizendo: olha, esse gênio é homem da sua terra, do povo preto que ergueu a melhor história do Brasil.

Foi nos anos 80 que comecei a querer uma vida melhor para mim. Só tinha um caminho, estudar e enfrentar as pessoas rindo do meu português ruim, da minha erudição sem língua estrangeira, da minha paixão por uma ideia de Bahia, da minha imersão, desde o meu nascimento, no mundo negro... De lá, eu também rezava assim: A vida que eu sonhei, no tempo que eu era só/ Nada mais do que menino, menino pensando só / No reino

do amanhã, na deusa do amor maior / Nas caminhadas sem pedras, no gomo sem ter um nó". Eu quis assim, Nelson mestríssimo. Que o mar da Bahia nunca lhe falte, mesmo que seu povo vacile.

Marlon Marcos

Poeta, jornalista, antropólogo, professor da

Unilab

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