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Comportamento e cartões. Por Luís Carlos Lopes
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Comportamento
Qua, 20 de Fevereiro de 2008 03:19
Convencionou-se chamar de comportamento, o conjunto de ações que os seres humanos desenvolvem individualmente ou coletivamente. Usar o cartão corporativo do governo para fazer compras de interesse pessoal é um bom exemplo de um comportamento individual. Se isto é uma prática generalizada de agentes do poder público, se está à frente de um comportamento de grupo.
Mesmo que o "coletivo" não se possa aplicar a todos os funcionários graduados do governo. É importante lembrar que a existência da possibilidade, isoladamente, não explica a ação delituosa. Não é bom esquecer que uso destes cartões remonta à época do pequeno príncipe da sociologia brasileira. Talvez antes, já existissem. Não é fácil obter informações deste gênero. Normalmente elas não foram e não são facilmente midiatizadas. Quando surgem, episodicamente, nas mídias, sempre se conta um ponto e se "esquece" o outro, como nas fábulas para pegar os incautos.

Um pouco mais longe, na época da ditadura militar, as rubricas de "secreto", "confidencial" ou de interesse da "segurança nacional" podiam acobertar mil e um casos de privatização do público. Não é segredo para ninguém, a natureza corrupta do Estado, que deriva na direção de seu uso para o enriquecimento pessoal, favorecimento de grupo, ou, pelo menos, para aproveitar o momento e a circunstância da presença no poder. Isto não é um problema estritamente brasileiro e não corresponde somente aos governos eleitos.

Nas ditaduras, a corrupção tinha e ainda tem como uma de suas marcas, a maior centralização e organização. Era protegida pela censura. Existem alguns exemplos disto no mundo de hoje. Somente a hipocrisia pode esconder que a máquina de Estado, em qualquer lugar e há muito tempo, é um instrumento de enriquecimento e de favorecimento estrutural e conjuntural.
Ela beneficia classes com maior poder, grupos mais organizados e, sobretudo, aos que a dominam.

No capitalismo todos os caminhos para ganhar dinheiro e acumular fortuna são validados ou validáveis. Por que não, usar o Estado? A única coisa que pode diminuir a ânsia pela apropriação privada do público é a vigilância democrática, a qual se pode expressar de inúmeras formas. Uma delas é a da denúncia, da apuração dos fatos e a responsabilização fiscal e penal dos responsáveis. Outra, a existência de critérios seletivos mais rígidos, no processo de escolha dos nomeados. Os processos de escolha deveriam passar pelo crivo do público e deveriam existir instâncias de vigilância, para além da grande imprensa, quase sempre tendenciosa e interessada em usar politicamente dos delitos cometidos, obviamente, se eles forem de responsabilidade de personas non gratas ao status quo.

Quando pessoas colocadas no governo, para defender os marginalizados, são pegas com a boca na botija, a reação, encastelada nos grandes veículos, tem verdadeiros ataques apopléticos de orgasmo doentio. Eles adoram estes fatos e se rejubilam publicamente. Isto porque eles empobrecem a luta dos humilhados e dos ofendidos. Os mesmos acontecimentos passam a mensagem de que não há jeito para nada. Não seria, então, possível vencer o mostro do preconceito e da discriminação. Isto é muito ruim para quem realmente defende a causa dos direitos humanos.

Os agentes da reação "esquecem" que a gravidade destes problemas sociais persiste, e que não é possível minimizá-la ou escondê-la indefinidamente.
Suas vitórias são circunstanciais. Um soldado se corrompe, mas virá outro, e, em seguida, outro e mais outro, até que o castelo seja derrubado. A luta contra o racismo, em quaisquer de suas formas, bem como as lutas contra os preconceitos de nossa realidade, não pode ser detida, a não ser com extrema violência. Isto já foi tentado no Brasil, e não funcionou. A ditadura acabou, dificilmente voltará.

Luís Carlos Lopes é professor.

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